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Proposta de termos: denominação secundária e denominação conformista (AC: cissexismo) - Versão de Impressão

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Proposta de termos: denominação secundária e denominação conformista (AC: cissexismo) - Aster - 21-03-2026

Estou fazendo um tópico neste fórum porque aceito sugestões quanto ao nome e à flexibilidade dos conceitos. Dito isto, os termos têm o objetivo de preencher um vácuo léxico, e não acredito em reduzi-los a "só tal coisa" por serem fenômenos diferentes e/ou mais específico daqueles que podem ser comparáveis.

Origem

O termo second-gendering aparece em textos de Azriel, que define o termo da seguinte forma:

Citação:second-gendering is the exorsexist act of choosing the binary pronouns or gender over preferred ones as a means of feeling more comfortable around them or in conversation with them. it is a violent act when said nonbinary person has disclosed their pronouns with you. choosing to instead second-gender the nonbinary person is you choosing to deny them their own autonomy and language, which essentially silences and reduces them to a talking point. a person using ze/zir and she/him only is second-gendered when someone uses she/her because ze "looks female." a person using it/he being called a he/him 99% of the time is second-gendering.

second-gendering happens only to nonbinary and pronoun non-conforming people, while terms like misgendering, third-gendering, and malgendering all exist for different purposes. misgendering is using he/him for a trans woman who uses she/her. third-gendering is placing transbinary people separate from their gender, like with "man, woman, and trans." malgendering is calling a trans woman a she/her only to demean her femininity or affirm a woman's weakness.

Resumindo o conceito em si:
  • Second-gendering se trata de sempre escolher uma linguagem binária (tanto a respeito de tratamento gramatical quanto de gêneros ou termos associados) para se referir a uma pessoa que demonstrou preferência igual ou maior de outras formas de linguagem, como umi homem não-binari dizendo que usa -/ilo/i ou o/ele/o sendo sempre tratadi por o/ele/o e tendo seu gênero sempre sendo referido somente como homem, apagando sua não-binaridade sempre que possível;
  • Second-gendering se aplica somente a pessoas que não são sempre, completamente e somente ou mulheres ou homens ou que são não-conformistas de linguagem, com qualquer similaridade percebida no tratamento de pessoas binárias e conformistas de linguagem caindo em outro conceito.

Proposta 1: Denominação secundária

Proponho a tradução do conceito second-gendering como denominação secundária. Denominação vem de maldenominação, termo discutido num servidor de Discord não-binário em 2016. Denominação secundária segue a mesma lógica de second-gendering, onde a linguagem usada está tecnicamente correta mas acaba por apagar a não-binaridade sempre que possível. Acredito que seja um termo relativamente intuitivo para quem sabe que maldenominação é uma adaptação de misgendering e que teve contato com o termo second-gendering.

Proposta 2: Denominação conformista

Agora, por mais que eu entenda o escopo da denominação secundária (que parece ser um subtipo de reducionismo de gênero no contexto de exorsexismo), eu acho que há particularidades que ocorrem quando não temos nenhuma normalização de algum gênero gramatical alternativo dentro de nossa língua, incluindo a popularização de formas de linguagem inclusiva que não contém marcação alguma (sendo menos marcadas do que they/them na língua inglesa). Também acredito que esta questão afete pessoas que não se veem necessariamente como inconformistas de linguagem e/ou não-binárias, e que ocorre de formas que não resultem em uma binarização. Por exemplo:
  • Uma publicação nunca utiliza a/ela/a ou o/ele/o para uma pessoa trans que tem somente um destes conjuntos, mesmo no caso de pessoas que são publicamente mulheres ou homens trans. Termos como "essa pessoa" e uso do nome sem nenhuma substituição por pronome ou uso de artigo são sempre usados, ao invés de qualquer tratamento específico;
  • Uma pessoa não-binária tem o conjunto de linguagem ê/ile/e ou outro que envolve neolinguagem. Ao invés de tal conjunto ser utilizado, novamente, pessoas à sua volta optam por apenas usar nome (sem acompanhamento de artigo), mesmo que sejam capazes de aplicar a/ela/a ou o/ele/o a pessoas com tais conjuntos;
  • Uma pessoa não-binária utiliza qualquer conjunto de linguagem. Para evitar a conotação cissexista de sempre utilizar o conjunto de linguagem que seria associado com sua aparência por pessoas cisnormativas, alguém opta por sempre utilizar o outro conjunto de linguagem binário, sem nunca tentar aplicar qualquer elemento neolinguístico;
  • Uma pessoa transmasculina aceita o/ele/o e -/elu/e. Por ter estatura baixa e seios grandes, algumas das pessoas à sua volta sempre o tratam usando -/elu/e;
  • Uma pessoa caelgênero aceita ae/ael/el e ê/elu/e, mas especifica que prefere ae/ael/el por sentir que este afirma mais seu gênero, com ê/elu/e sendo mais um conjunto com o qual não se importa em manter caso tenha que interagir brevemente com pessoas menos familiarizadas com o modelo APF e que portanto teriam que ser ensinadas a aplicar o conjunto que prefere. Mesmo assim, várias de suas amizades continuam preferindo aplicar ê/elu/e e sues colegas de partido preferem evitar quaisquer marcações;
  • Uma mulher trans prefere a/ela/a, mas diz que também aceita qualquer tratamento porque, por conta de cissexismo internalizado, não se entende como alguém que "merece" ser vista como uma pessoa tratada por a/ela/a. Ela não se coloca como não-conformista de linguagem porque sua aceitação de qualquer tratamento não é realmente sua preferência. Suas amizades cis optam por continuar usando o/ele/o, porque ela tecnicamente "deixou".

Acredito que tais questões passem por exilinguismo, desgenerização de pessoas cisdissidentes e impulsos cissexistas, por mais que a denominação secundária também esteja inclusa neste conceito.

Assim, talvez seja possível definir denominação conformista como o ato de tomar cuidado para não maldenominar alguém, mas de forma que centraliza cisnormatividade, conformismo de gênero, binaridade de gênero, uso da língua padrão e repulsão a conjuntos de linguagem relativamente incomuns acima de representações mais precisas da identidade e/ou linguagem pessoal de cada pessoa.

Denominações conformistas não são exclusivas a quaisquer grupos, podendo ser experienciadas caso linguagem sem marcação (-/-/-) seja usada para não afirmar o uso de a/ela/a ou o/ele/o de mulheres e homens trans, intersexo, heterodissidentes, gordes, alterumanes e/ou afins. Denominações conformistas não são exclusivas a quando pessoas não-binárias são referidas com linguagem com conotações binárias, pois pessoas com múltiplos conjuntos envolvendo neolinguagem que são tratadas apenas pelo conjunto mais comum possível ou por linguagem sem marcação também estão experienciando denominações conformistas.

Denominações conformistas só podem ocorrer quando o(s) conjunto(s) de alguém é(são) conhecido(s). Uso de linguagem sem marcação ou mesmo de algum conjunto marcado como genérico temporariamente não se constituem em denominações conformistas. Também não se aplicam a quem apenas usa determinado elemento para se referir a outra pessoa porque não consegue/não é possível usar o outro (no caso de elementos gráficos como emojis, por exemplo), por não ter muita familiaridade com a pessoa e não ter conseguido lembrar dos conjuntos que a pessoa falou que tinha horas antes ou afins.