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Quem conta como variorientade? (AC: Contém leve discussão sobre periorientismo)
#1
Periorientismo (a normalização de ser periorientade como algo normal e padrão e de ser variorientade como algo que desvia da norma) é algo tão comum que discussões sobre isso - e, portanto, sobre quais exatamente são os requerimentos para ser uma pessoa periorientada - acabam sendo deixadas de lado.

Eu costumo definir pessoas variorientadas como as que consideram que, entre os tipos de atração que consideram relevantes para sua experiência de vida, tais atrações são experienciadas de forma diferente.

Ou seja:

Uma pessoa que é apenas assexual e arromântica seria periorientada.
Uma pessoa que é akoi e lésbica tanto sexualmente quanto romanticamente seria periorientada.
Uma pessoa que é (pan)demissexual e panromântica seria variorientada.
Uma pessoa que é omniassexual e arofluxo seria variorientada.
Uma pessoa que é polissexual, polissensual, poliqueerplatônica e virromântica seria variorientada.

Até aqui, nada particularmente controverso. A maioria das pessoas diz que pessoas variorientadas são aquelas cuja orientação sexual e romântica são diferentes.

Só que, segundo minha definição:

Uma pessoa que é assexual, arromântica e panqueerplatônica seria variorientada.
Uma pessoa que descreve suas orientações sexuais e românticas como gay, mas que também é bissensual e bialternativa, seria variorientada.
Uma pessoa que é abrossexual, abrorromântica, assensual, analternativa, e aqueerplatônica também seria variorientada.

Isso pode causar problemas para quem considera essas outras atrações menos importantes: "a sociedade em geral não liga para questões relacionadas a orientações queerplatônicas, sensuais, estéticas, platônicas ou o que for!"

Mas é por isso que falo sobre atrações relevantes! Para mim, minha orientação alternativa é irrelevante, porque minhas atrações e meus relacionamentos são mais definides por outros tipos de atração. Enquanto isso, outras pessoas podem considerar sua orientação alternativa como a mais relevante ou uma das mais relevantes, porque podem querer um relacionamento alternativo com alguém por quem não conseguiria sentir atração romântica ou sexual, por exemplo.

Eu vejo pessoas em conflito porque sentem atrações de forma diferente de como suas atrações sexuais e românticas funcionam. Pessoas que gostam muito de admirar esteticamente pessoas de certo gênero mesmo sem sentir atração sexual/romântica por ele, pessoas que se sentem inseguras porque não sentem vontade de ter muito contato sensorial com sues parceires mesmo que sintam atração sexual e romântica por elus, pessoas que são atacadas por se dizerem parte de certa comunidade por conta de sua orientação queerplatônica ou alternativa.

E isso é muito parecido com o que acontece com pessoas que sentem certa atração sexual sem sentirem certa atração romântica, ou o contrário. Pessoas em dúvida sobre certa atração ser real ou não porque ela é associada com outra, pessoas excluídas de comunidades por "não serem totalmente daquela orientação", pessoas tendo dificuldades em achar relacionamentos que sejam uma coisa sem ser outra.

Enfim, é essa a minha proposta para que levem a sério que orientações além da sexual e romântica sendo diferentes dessas sejam suficientes para que pessoas se digam variorientadas. Eu gostaria muito que pessoas que defendem a ideia de que só as orientações sexuais e românticas contam pudessem argumentar aqui algo além de frases vagas sobre só essas orientações serem realmente julgadas pela sociedade, uma ideia muito fácil de desbancar.

Quem quiser adicionar suas próprias experiências em relação a isso também é bem-vinde.

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#2
Assim como identidades em geral, acho que ser variorientade deveria ser um rótulo (ou posicionamento?) adotado pela pessoa se faz sentido pra ela e ponto final. Não tenho muito conhecimento sobre pessoas de outras atrações além da sexual e romântica. Mas, como foi apontado, essas outras atrações pesam para muitas pessoas; isso é o que importa.

Talvez a definição de variorientade poderia ser "ter atrações diferentes entre os tipos de orientações" ou "experienciar tipos diferentes de orientações" ou algo similar. E deixar em aberto se a pessoa pode ou não considerar isso relevante. Acho que é algo parecido com pessoas assexuais ou intersexo que não se consideram parte da comunidade LGBTQIAPN+; se elas não consideram suas dissidências relevantes, elas não vão se posicionar. Mesma coisa aqui. E se a pessoa tiver dúvidas, ela pode perguntar ou buscar tópicos como esse.
àO
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#3
O motivo de eu ter colocado que a pessoa tem que achar aquelas atrações relevantes é que existem atrações que podem ser identificadas sem elas terem relação com algo que a pessoa considera "sério".

Pessoas podem ter orientações platônicas, amicais, estéticas, familiares, etc. e não acharem que, sei lá, o fato de não sentirem vontade de ter ou manter amizades as coloca fora da heteronormatividade assim como serem pansexuais ou arromânticas faz isso.

Eu considero que pessoas podem ter atrações, e portanto orientações, que não são relacionadas com intimidade física ou relacionamentos compromissados de forma que a sociedade em geral não necessariamente veria como queer independentemente da orientação que a pessoa tiver para aqueles aspectos.

Por exemplo, uma pessoa pode ser gay em todos os aspectos que considera importantes, mas ser panestética e achar pessoas de qualquer gênero bonitas. Só que, para esta pessoa, sua orientação estética não faz diferença em sua vida; a pessoa pode saber que é panestética e gay, e ainda se dizer periorientada.

Enquanto isso, uma pessoa pode ser cupiossexual e cupiorromântica, mas ser panestética e considerar que quer ter um relacionamento com pessoas de qualquer gênero que sejam bonitas por conta de sua atração estética; a pessoa então pode se considerar variorientada, porque sua orientação estética é relevante para suas experiências, e a multimisia vai afetá-la.

Basicamente, o que estas definições que falei tentam prevenir é que:

1. Pessoas achem que a ideia é que qualquer pessoa cuja atração estética ou amical ou mental ou social ou etc. funcione de forma diferente da forma que funcionam as atrações sexual e romântica seja variorientada, quando a sociedade definitivamente não trata pessoas heterossexuais birromânticas da mesma forma que trata pessoas heterossexuais heterorromânticas bissociais, a menos que essa bissocialidade leve a um interesse a ter relacionamentos compromissados ou de intimidade física com pessoas de múltiplos gêneros.

2. Pessoas considerem atrações que não são relevantes para elas como universalmente irrelevantes; tipo "se eu ser gay e panestétique não conta como ser variorientade, atração estética não pode contar para ninguém ser variorientade".

3. A definição precise de algo como "relevantes em relação a X ou Y" quando eu não tenho confiança de que uma pessoa vai saber se é afetada por periorientismo ou monossexismo ou alossexismo ou o que for por conta de tipos de orientações menos conhecidos, e não quero ditar que é necessário certo tipo de desejo ou relação para que um tipo de orientação seja relevante.

Acho essa questão muito diferente de "existe gente de tal identidade NHINCQ+ que não se considera parte da comunidade".

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