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Sobre aquela citação da Simone de Beauvoir [cissexismo, transmisoginia]
#1
Sabem aquele negócio que vivem citando como se fosse uma defesa de pessoas trans, "não se nasce mulher, torna-se mulher"?

Alguém aí consegue confirmar se isso era realmente uma defesa de pessoas trans, e não uma defesa da teoria TERF sobre a socialização construir o gênero?

Fui pesquisar se a Beauvoir era radfem ou não, e não conseguir achar nada conclusivo.

Achei muitas TERFs usando aquilo para falar de "socialização". Dizendo que o que torna alguém mulher é uma pessoa ser criada como mulher e chamada de mulher, e o mesmo pra homens. Achei elas falando sobre como obviamente Simone era uma delas, enquanto também achei blogs trans dizendo que o que ela fala justifica a causa trans.

Eu não vou citar pra não dar audiência, mas essas são algumas das ideias ditas:

Alguém aí saberia dizer com mais propriedade se a citação é cissexista ou não? Se for, seria legal o pessoal trans parar de usar ela tanto, né :/

Ideia relacionada: dá pra chamar TERFs de FREPTs (Feministas Radicais Excludentes de Pessoas Trans) e TWERFs de FREMTs (Feministas Radicais Excludentes de Mulheres Trans).
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#2
O Segundo Sexo foi publicado em 1949. Acho que não dá pra dizer com certeza se Beauvoir era pró-trans ou anti-trans.

Como o livro foi usado tanto para a inspiração de TERFs quanto da Judith Butler, eu diria que essa frase só se refere à separação de sexo e gênero. Ao fato de que não é ter vagina e seios e útero que faz alguém magicamente mais propense a se encaixar em algum estereótipo de mulher, e de que não é ter pênis e testículos e não ter seios ou útero que faz alguém magicamente ser mais propense a se encaixar em algum estereótipo de homem.

Agora, se essa ideia é utilizada para dizer "e portanto o que define gênero são somente as expectativas e pressão acima de cada criança" ou "e portanto o que define gênero é o quanto alguém quer se encaixar ou não em alguma das categorias existentes na sociedade, ainda que esse encaixe subverta o que se entende por ser daquela categoria".

Eu não li e não tenho muita vontade de ler o livro para entender se a autora chega a uma dessas conclusões. Porém, visto que ambos os "lados" da discussão juram que Beauvoir apoia suas ideias, eu diria que nenhuma dessas conclusões está no livro, ao menos não de forma forte.
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#3
Primeiramente, não li ainda O Segundo Sexo. Tenho os dois volumes aqui. Mas já dei uma pesquisada a respeito e cheguei a discutir isso há muito tempo com a pessoa que antes era dona dos livros - uma amiga que já faleceu. Minha conclusão é que a frase não foi feita pensando nas pessoas trans. Foi para definir a socialização das pessoas AFAB.

MAS a frase tem uma verdade: ninguém nasce de um gênero. Nascemos bebês carequinhas, desdentados, com cara de joelho e chorões. Então, agarrando-se a essa verdade, não vejo problema da frase ser interpretada de outra forma e que seja a favor das pessoas trans. As interpretações de radfems e pessoas trans não se contradizem, só são direcionadas para caminhamos diferentes - um excludente e um inclusivo. Se a frase está prestando um serviço à causa trans, não vejo problema algum de ser usada.
àO
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#4
3910 escreveu:Foi para definir a socialização das pessoas AFAB.

uh... socialização de mulheres AFAB, de mulheres, ou socialização tentada em cima de pessoas AFAB, mas que é absorvida de forma diferente de acordo com o gênero?

porque assim como mulheres trans internalizam misoginia mesmo sem serem tratadas como mulheres, a perspectiva de alguém que é AFAB sem ser mulher em cima de expectativas do gênero feminino deve ser completamente diferente de uma mulher (ou até mulher parcial/adjacente) com a suposta mesma criação...

tendo lido o livro ou não, acho que não dá pra dizer uma frase dessas sem explicação... a própria ideia de que existe uma única socialização AFAB (e assim uma única socialização AMAB) é cissexista e TWERFy...
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#5
Eu me referia a socialização das mulheres AFAB.
àO
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#6
eu li o livro todo. acredito q n foi cissexista nem transfobico. o livro faz uma critica a forma que a sociedade encara as pessoas do gênero feminino e/ou nasceram com vagina, e também fala que o sexismo afeta tanto homens ou pessoas q nasceram com penis , so que de uma forma diferente. achei o livro incrivel. trás uma reflexão do inicio da infância onde o gênero da criança começa a ser designado pela sociedade,e segue ate a fase final da vida.
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#7
com essa frase ela apenas quis dizer q feminilidade e o gênero feminino (ou a leitura social do que ela é) foram construídos socialmente ao longo dos anos, n deixa de ser verdade. e ao longo do livro acabava explicando que a cobrança constantes dos mesmos gerava uma serie de preconceitos, tabus, traumas e similares

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#8
o livro n faz referencia a pessoas trans, ou não binarias. pq n era algo discutido na epoca, a informação n chegava tb. mas n diria q foram transfobicos nem nada do tipo.
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