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como provar gênero sem empurrar gente pra baixo do ônibus?
#1
tem gente que acha difícil aceitar gênero só por aceitar...

só que não adianta dizer que me visto de certa forma para ser visty como de certo gênero, ou que ajo de certa forma por ser trans/nb... porque isso invalida pessoas do mesmo gênero ou na mesma situação que não fazem as mesmas coisas, ou invalida pessoas de outros gêneros/situações que fazem as mesmas coisas...

como faz
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#2
Eu não consigo pensar em nada fora só falar do gênero, pronomes e já era.
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#3
yeah... isso é realmente uma ideia, o problema é que é difícil acreditarem em uma pessoa nb só por conta disso :/
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#4
O problema é que não adianta definir gênero por genitália, disforia, gostos ou comportamentos, porque aí sempre vão ter exceções.

Daí, se você define gênero dizendo que é uma categoria social, que evoluiu durante séculos (e até milênios), e que tem a ver com a comparação de seu gênero com os outros... não querem mais saber, é algo complexo demais, ou inventado, e por que não deixamos a pobre pessoa em paz??? /s

Eu uso a técnica da insistência e de ser passive-agressive. Dou cortadas quando tenho oportunidade, e insisto em dizer que sou não-binárie e que tenho certa linguagem (quase) toda vez que erram.
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#5
é, pode ser boa ideia... pena que não tem como fazer isso de forma mais subjetiva :/
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#6
Não dá pra provar, não existem fórmulas.

Sem usar biologia, corpo, comportamento, estereótipos, expressão de gênero, crenças, religião, papéis de gênero, etc...

a única conclusão que eu consigo tirar é que as pessoas se identificam como gêneros ou não, porque elas querem pertencer a estes grupos ou gostam dos rótulos (é como se identidade de gênero fosse "qual o pronome que tu prefere que eu use com vc agora?")

Vc é um homem se vc pensar que é ou falar que é, penso logo sou.
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#7
A própria definição acadêmica de gênero inclui a definição social e cultural de papéis sociais (que podem se basear em características sexuais) e também a identidade de gênero, então é claro que não dá pra definir gênero sem citar qualquer dessas coisas.

Não acho que o caminho certo é tentar provar que "gênero existe", porque não é uma coisa física ou tangível para as pessoas, ou pelo menos, não é num sentido muito óbvio. Porque gênero é uma questão mais epistemológica (como a teoria queer diz). A sociedade primeiro constrói gênero como uma classificação e divisão de corpos, que a sociedade ocidental costuma dividir entre "mulher" e "homem", todas as normas sociais vêm em seguida, que pode variar bastante de cultura pra cultura.

A definição que eu recentemente ouvi e que eu gosto bastante, é que ser uma pessoa não-binária é uma questão da impossibilidade (ou dificuldade) de viver honestamente ou autenticamente ou de forma mentalmente saudável, dentro das normas sociais e culturais binárias da sociedade. Essa definição eu acho bastante interessante porque ela coloca uma visão cultural mais ampla ao invés de dizer apenas que "não é homem nem mulher", e também permite entender que a definição de gênero varia com o tempo e cultura, e que pessoas não-binárias sempre existiram.

Daí eu acho que dá pra partir para uma aproximação diferente. Assim que conseguimos mostrar que existem pessoas que não se sentem confortáveis com as normas binárias de gênero impostas pela sociedade, podemos ir na linha do "porquê que classificações de gêneros não-binários existem" ao invés de tentar provar "porquê gêneros existem". Daí os motivos que podemos dar são muitos, as pessoas tentam classificar como se sentem a partir das classificações existem, como que suas experiências comparam com outras experiências de outras pessoas, então a necessidade aí está ligada a um auto-entendimento, mas além disso, serve para organização e compartilhamento de experiências entre outras pessoas. As pessoas podem externalizar, explicar e nomear suas experiências para outras pessoas, e isso é muito importante para a aceitação e compreensão de outras pessoas. Também serve para organização de movimentos identitários, para criar uma comunidade onde as pessoas podem se organizar e solicitar direitos e reconhecimento social, é uma reivindicação social.
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#8
3028 escreveu:A própria definição acadêmica de gênero inclui a definição social e cultural de papéis sociais (que podem se basear em características sexuais) e também a identidade de gênero, então é claro que não dá pra definir gênero sem citar qualquer dessas coisas.

Não acho que o caminho certo é tentar provar que "gênero existe", porque não é uma coisa física ou tangível para as pessoas, ou pelo menos, não é num sentido muito óbvio. Porque gênero é uma questão mais epistemológica (como a teoria queer diz). A sociedade primeiro constrói gênero como uma classificação e divisão de corpos, que a sociedade ocidental costuma dividir entre "mulher" e "homem", todas as normas sociais vêm em seguida, que pode variar bastante de cultura pra cultura.

A definição que eu recentemente ouvi e que eu gosto bastante, é que ser uma pessoa não-binária é uma questão da impossibilidade (ou dificuldade) de viver honestamente ou autenticamente ou de forma mentalmente saudável, dentro das normas sociais e culturais binárias da sociedade. Essa definição eu acho bastante interessante porque ela coloca uma visão cultural mais ampla ao invés de dizer apenas que "não é homem nem mulher", e também permite entender que a definição de gênero varia com o tempo e cultura, e que pessoas não-binárias sempre existiram.

Daí eu acho que dá pra partir para uma aproximação diferente. Assim que conseguimos mostrar que existem pessoas que não se sentem confortáveis com as normas binárias de gênero impostas pela sociedade, podemos ir na linha do "porquê que classificações de gêneros não-binários existem" ao invés de tentar provar "porquê gêneros existem". Daí os motivos que podemos dar são muitos, as pessoas tentam classificar como se sentem a partir das classificações existem, como que suas experiências comparam com outras experiências de outras pessoas, então a necessidade aí está ligada a um auto-entendimento, mas além disso, serve para organização e compartilhamento de experiências entre outras pessoas. As pessoas podem externalizar, explicar e nomear suas experiências para outras pessoas, e isso é muito importante para a aceitação e compreensão de outras pessoas. Também serve para organização de movimentos identitários, para criar uma comunidade onde as pessoas podem se organizar e solicitar direitos e reconhecimento social, é uma reivindicação social.



O pessoal gnc também tem dificuldade de e se encaixar neste cistema doentio, e estas pessoas se identificam como homens ou mulheres. Será que só identificam assim por pressão social ?
Já conheci pessoas que se identificavam como nb ou homem por causa do machismo. As vezes me pergunto se as tomboys/gurias/bofinhos por aí e os sissies também não virariam nbs se não fossem as pressões sociais.
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#9
Pessoas podem sim estar se encaixando em identidades que não são completamente confortáveis por causa do estigma, ou até mesmo por não terem ideia de que existem outras opções, mas também podem simplesmente se ver como pessoas binárias que não obedecem aos estereótipos relacionados a seus gêneros.

O que é mais importante é respeitar o processo de descoberta de cada pessoa. Se alguém se vê como homem afeminado, depois como travesti, depois como mulher trans e depois como gênero-fluido, é importante não duvidar da pessoa em qualquer estágio que ela esteja. Se uma pessoa sempre se vê como homem afeminado, é importante respeitar sua identidade ainda que muitos homens afeminados tenham se descoberto travestis, mulheres trans ou pessoas não-binárias depois de certo tempo.
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#10
Certo, mas gente como vcs justificam o id de gênero de vocês então ? eu até hj não descobri o que me difere de homens e mulheres gnc. Acho que só as palavras mesmo, mulher e homem soam estranho.
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